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[Desafio Bingo] Após Sua Longa Ausência
Airi Suzuki, Give Me Love
thamy wrote in oafanfics
Título: Após Sua Longa Ausência
Autor(a): Anita.
Tema(s) do Bingo: cartela Neve, prompt “Há mais perigo em teus olhos do que em vinte espadas!” (William Shakespeare) e prompt “A verdadeira afeição na longa ausência se prova.” (Luís de Camões)
Fandom: Mahou Kishi Rayearth
Classificação: livre.
Palavras: 1990.
Personagens/Casais: Lucy Shidou/Lantis
Gêneros: het, romance
Resumo: Lantis anda distraído a ponto de Clef se preocupar por sua integridade. Mesmo sabendo que precisa seguir em frente, Lantis segue arrependido; queria ter aproveitado melhor suas limitadas horas com Lucy. Então, algo mágico acontece...
Notas: História escrita para o Desafio Bingo, um desafio promovido pela comunidade OA Fanfics. Fic baseada na versão do anime.


Após Sua Longa Ausência


— Lantis! O que houve com você? — Clef perguntou atordoado logo que entrei no salão.

  Segui a direção de seus olhos — meu braço direito, a poucos centímetros de meu ombro — e a faixa branca estava manchada com sangue. Custei a me lembrar de por que eu estava assim.

  — Estava treinando a espada com um dos soldados.

  — Mas você é o melhor espadachim de toda Zefir. — Clef caminhou até mim e esticou as mãos até perto do corte. — Nem mesmo Rafaga deveria ser capaz de te machucar dessa forma.

  Observei até mesmo o vermelho sumir do tecido enquanto ele terminava a magia de cura.

  — Eu me distraí — expliquei, retirando a faixa agora sem utilidade. — Ademais, já disse o quanto me superestima. Rafaga seria capaz de um dano muito pior se realmente o quiser.

  — Distração tem sido o resumo dos seus dias ultimamente. — Clef ignorou o que disse depois e sentou-se em sua cadeira.

  Aproximei-me cauteloso. Sabia que era por isso que havia sido chamado. Meu mestre não era a pessoa mais perceptiva do mundo, em especial quando não queria perceber. Ainda assim, era aquele que mais bem me conhecia. Custara tempo demais já para eu levar um sermão.

  — Não quer dividir comigo o que o preocupa tanto?

  Desviei meu olhar para o chão. Falar sobre meus sentimentos não era a atividade que me deixava mais confortável. Foram poucas as pessoas que me faziam até querer dizer o que eu pensava. Por mais admiração que eu tivesse por meu mestre, ele não era uma dessas.

  Clef limpou a garganta.

  — Se é assim, pelo menos, pense um pouco sobre o assunto e em como você pode melhorar, Lantis. Não posso ter meu melhor espadachim sendo derrotado por um soldado sem nome. — Ele sorriu para indicar que não era realmente uma questão de orgulho o problema.

  Assenti e agradeci a conversa, saindo antes que ele decidisse me pressionar por informação. Se eu continuasse como estava, não demoraria para a preocupação de meu mestre falar mais alto que seu respeito por minha privacidade — ou melhor, seu medo de eu fugir de novo para longe, como quando meu irmão me contou acerca de seus planos para a Princesa Esmeralda.

  Em pensar que eu, de fato, estava derrotado. Não por uma espada, não por vinte espadas, mas por um par de olhos rubros.

  Lucy...

  Ainda os lembro como se queimassem na minha memória, olhando de volta para mim com curiosidade, segurando minha mão de um modo tão natural que demorei a notar que talvez fizesse anos que alguém me havia tocado ali.

  Aquele par de olhos me dobrou a seus pés sem nem precisar de um combate. Uma luta contra sua dona teria sido não uma vergonha, mas uma piada. Eu não consegui vencer nem mesmo Nova, que com certeza não era Lucy, mas detinha tamanha semelhança que meu corpo se recusava a agir contra ela.

  Após a conversa com Clef, percebi que não estava em condições de trabalhar. Em dia nenhum eu realmente me sentia pronto a lidar com qualquer assunto importante, mas agora minha cabeça estava ainda mais aérea. Quase literalmente em outro mundo, buscando por ela febrilmente.

  Antes de notar, estava no jardim com a fonte onde um dia sentamos e conversamos. Era estranho como havia me apaixonado sem ter passado tanto tempo com ela, mas naquele dia em que nos encontramos nesta fonte, eu já tinha plena consciência de meus sentimentos. Assim como dos dela.

  "Lantis... eu sinto muito... eu amo... você", havia me dito uma Lucy delirante. O dia na fonte foi a primeira vez que a via desde então. Tempo o suficiente para sopesar as consequências de nos envolvermos em plena guerra. Toda a minha instrução como guerreiro dizia não haver momento pior. Ademais, era justamente a existência dela e de suas amigas guerreiras mágicas que eu desejava expurgar de Zefir.

  "...eu amo... você", bastaram essas palavras para me balançar.

  Mas ela não se lembrava de nada. Para minha surpresa, depois de eu passar tanto tempo olhando para o teto em busca de como responder à declaração, Lucy nem mesmo se lembrava de havê-la feito.

  Bem, era o melhor. Não tínhamos tempo para romances! Com isso, guardei novamente tudo em meu coração para, no segundo em que Zefir voltasse à paz, eu mesmo me declarar. Teríamos tempo, não sei porque pensei em algo tão tolo.

  Tão, tão tolo.

  Tudo só piorou. E no final, quando ela estava bem ali ao alcance meus braços para apertá-la com toda minha força contra mim...

  Eu

  a

  perdi.

  Deve ser algo de família ser tão exagerado. Não se comparava ao sofrimento de meu irmão e da Princesa — e eu sabia por que sentira na pele uma fração desse desespero. Ainda assim, era quase o mesmo na prática, porque Lucy não estava comigo.

  No início, enquanto reconstruíamos Zefir de acordo com as novas regras, não só era muito trabalho para eu ver o tempo passar, mas também havia a esperança de as guerreiras mágicas eventualmente nos visitarem de novo. Teoricamente, era possível, Clef uma vez respondera a Ferio. Elas próprias se haviam transportado na segunda vez. Por que não o fazer sempre que o quisessem muito?

  E eu sabia que Lucy queria muito, porque podia senti-la de vez em quando.

  Não, em toda parte. Ela estava em toda Zefir, em cada folha verde, em cada flor que desabrochava. O planeta todo devia a ela sua existência.

  Só que, de vez em quando, era como se ela estivesse bem ali comigo. Uma sensação tão forte que eu ficava desnorteado tentando reunir toda aquela presença em uma pessoa. Querendo ir até onde estivesse o resto dela e trazê-la inteira para mim.

  Mas como eu era egoísta. Sempre critiquei tanto meu irmão, e me tornava igual a ele.

  Lucy havia dito que tinha três irmãos mais velhos que a amavam muito. E ainda um bicho de estimação. Era uma vida inteira que dependia dela lá em seu mundo. A menos que um dia as guerreiras mágicas desenvolvessem um método de irem e virem a qualquer tempo, suas chegadas em Zefir poderiam sempre significar ficarem presas indefinidamente.

  Não era o que eu queria. Na maior parte das vezes.

  Era incrível como um par de olhos podia fazer um estrago tão grande até mesmo no que eu considerava certo e errado. Meu egoísmo bradava dentro de mim. Não importava mais como, eu a queria. Eu precisava dela.

  Eu a desejava.

  Abri meus olhos com um estalo em meus pensamentos.

  Porque não importava mais como.

  E simplesmente com essa percepção...

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

  Eu estava no Mundo Místico.

  Eu nunca havia estado aqui antes, ou mesmo ouvido muito sobre o lugar. Certamente, não o bastante para comprovar aquela sensação. Mas eu sabia que era o Mundo Místico. O mundo de Lucy.

  Olhei ao meu redor, internalizando todos os detalhes sobre minha localização. Aquela era uma rua. E a tirar pelo cuidado com que o piso fora feito, algum veículo em alta velocidade devia passar por ali com frequência. Pelo menos, minha experiência viajando por todos aqueles mundos me serviria na adaptação.

  Só que antes eu precisava dela. Saindo do centro daquela rua, aproximei-me da construção onde eu sabia que a encontraria. Podia sentir sua presença lá dentro, no meio de tantas outras desconhecidas. Meu coração acelerou e eu prendi a respiração. O portão do lugar se abriu e um grupo jovens saiu de lá, conversando animadamente. Franzi a testa, sem qualquer ideia de por que tantos rapazes estaria no mesmo lugar que Lucy. Aguardei atrás de uma pilastra cheia de fios no topo, conectada a outras pilastras. Eletricidade? Foi a única explicação que encontrei, recordando-me de fotografias antigas de Autozam.

  O grupo terminou, mas nenhum era Lucy. Ela continuava em algum lugar lá dentro do terreno. Decidi que não podia esperar mais e avancei pelo portão, que um jovem de cabelo acastanhado começava a fechar.

  — Você não é dos nossos, é? — ele me perguntou enquanto estava distraído descobrindo a melhor rota. — Veio conhecer o dojo? Acabamos uma aula agorinha mesmo...

  Ela estava perto, decidi. Caminhei nos passos mais largos que pude até dentro de uma das construções no terreno. Era um salão aberto com piso de madeira. Ao fundo, havia uma faixa com letras que eu não conseguia ler. Mas também não importava, meu objetivo estava logo abaixo, sentada sobre os próprios pés de costas para mim, alheia à movimentação e ao rapaz que me seguia falando algo sobre a história de como aquele tal dojo tinha sido construído.

  — Masaru, por que não me disse que tínhamos visita? — Um homem mais alto e provavelmente mais velho apareceu do interior do lugar.

  — Poxa, Kakeru, foi mal se minha telepatia falhou.

  Eu estava enfim ao lado dela.

  — Lucy — disse seu nome quase em um murmúrio incrédulo.

  Mesmo que usasse roupas diferentes, mesmo que seu cabelo parecesse mais curto que antes, seu rosto mais fino, talvez seu corpo mais alto, eu nunca hesitaria em dizer que aquela era a Lucy que tanto esperei.

  Quando ela não reagiu à minha proximidade, indiferente até aos dois que não paravam de me olhar e cochicha entre si, sentei-me a seu lado e pus minha mão sobre a dela o mais gentilmente possível. Não queria assustá-la.

  — Lucy? — eu a chamei com a voz ainda baixa, controlando toda a ansiedade que me invadia. O que eu realmente queria era abraçá-la, mas havia me contentado com meramente lhe ganhar a atenção. Apertei sua mão, sacudindo-a um pouco. — Lucy?

  Seus olhos abriram e se focaram em mim, piscando uma, duas, dez vezes. Eu não me lembrava de como era bonito aquele tom de vermelho.

  — Ei, você! O que tá fazendo com a minha irmã? — perguntou o primeiro rapaz no mesmo momento em que a puxei para meus braços.

  — Lantis? — ela perguntou contra o tecido da minha roupa e se afastou apenas o bastante para levantar o rosto até o meu. — É você mesmo? Estou sonhando?

  — Você conhece esse carinha, Lucy? — perguntou de novo o mesmo rapaz, agora mais perto de nós dois.

  — Deixe-os Masaru, é claro que Lucy o conhece — disse o mais velho, afastando o outro.

  — Mas, Satoru!

  Não consegui ouvir mais da conversa e tive a sensação distante de que eles haviam permitido que ficássemos a sós. O que não era sequer necessário, pois minha atenção estava inteira sobre Lucy, sobre seu peso contra mim, sua pele roçando a minha, nossos lábios se tocando para nosso primeiro beijo antes que um de nós dissesse qualquer palavra a mais.

  — Sinto muito por demorar tanto — eu disse quando nos separamos, enquanto acariciava seus cabelos vermelhos, penteando-os com meus dedos.

  — Mas o que está fazendo aqui? — Sua expressão pareceu perder o torpor de antes. — E se você nunca mais puder voltar pra casa?

  Balancei minha cabeça.

  — Minha casa agora — Apontei para o pequeno espaço entre nós dois — é bem aqui.

  — Mas... — Ela pausou e olhou de novo para o espaço. Então, ergueu seus olhos para mim e abriu um sorriso. — Eu não acredito que isto realmente está acontecendo. — E me abraçou o pescoço com força. — Preciso te apresentar aos meus irmãos! Eles vão ficar maluquinhos quanto te virem, mas juro que são ótimas pessoas. Tenho certeza de que haverá bastante coisa que você possa fazer aqui no dojo também, então não vai se preocupar com casa e comida.

  Levantei-me quando ela me puxou pela mão pelo mesmo caminho por que eu viera.

  — Lucy, não quis dizer que literalmente irei morar na sua casa. Encontrarei algo e—

  — Já está tudo certo, Lantis! Não se preocupe, meus irmãos só assustam. Mas não é nada tão ruim assim!

  — Eu...

  Ela não me deu ouvidos, ainda me arrastando agora pelo jardim do terreno até a segunda construção. Não era a situação ideal eu depender da solidariedade de sua família, mas não importava. Desde que fosse isso que ela queria, desde que pudéssemos enfim ficar juntos. Fazia já muito tempo que eu havia sido derrotado pelos seus olhos.

  Fim!

Anita, 08/11/2016


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