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[Desafio Bingo] Fuga
nemui_thesleepy wrote in oafanfics
Título: Fuga
Autor(a): Nemui
Tema(s) do Bingo: cartão de Flor, prompt de "fuga".
Fandom: Saint Seiya - The Lost Canvas
Classificação: Livre.
Palavras: 618.
Personagens/Casais: Sasha e Sísifo de Sagitário
Gêneros: Drama.
Resumo: Athena e os cavaleiros estão a caminho do Lost Canvas. Sísifo está bastante ferido, e Sasha sofre por não poder fazer nada para ajudá-lo.
Notas: História escrita para o Desafio Bingo, um desafio promovido pela comunidade OA Fanfics.


Ele estava sentado num degrau, recebendo alguns poucos cuidados, bem menos do que ela gostaria de dar-lhe. Aquele momento de calmaria a caminho do Lost Canvas podia ser o último de sua vida. Por isso, Sasha pediu licença ao soldado que o tratava, tirando-lhe a tigela com água e a gaze. Quando tocou com um pouco de medo na séria queimadura no rosto de Sísifo, ele sorriu.

“Receber os cuidados da própria deusa no campo de batalha… Mas que privilégio.”

“Estamos todos juntos, não quero apenas ficar olhando. Ainda mais porque estamos a caminho da batalha final…”

“Sim. Perdão por não estar em condições ideais para lutar.”

“Do que está falando? Você derrotou um dos três juízes do inferno, Sísifo. Não tem culpa por ter ficado ferido.”

“Gostaria de ter sido mais forte, para poder lutar ao seu lado por mais tempo. Mas espero seguir ajudando de alguma forma, mesmo neste estado.”

Ela só conseguiria responder com o pedido, mas não o fez, pois sabia qual seria o rumo da conversa. Em vez de machucar a si e a Sísifo com palavras desnecessárias, preferiu ficar em silêncio. Trocou a gaze, coberta de sangue, e pegou uma nova, que logo se tingiu de vermelho. Os olhos ainda sangravam, e as queimaduras estavam a carne viva. Doía vê-lo daquela forma, mas não podia demonstrar fraqueza diante de seu exército. Ao menos podia retribuir pelos anos de gentileza com um pequeno gesto. Achou uma parte da pele sem queimadura e tocou-a.

“Eu sei o que está pensando”, disse Sísifo, sem interromper o sorriso. “E sei por que não diz nada. Estou cego, mas sei que está chorando por dentro, enquanto o rosto está seco. A senhorita amadureceu bastante, desde que a trouxe ao Santuário, há cinco anos. O que quer que aconteça a partir de agora, estará pronta, não se preocupe.”

Era impossível não acreditar nele. Afinal, talvez ele fosse o cavaleiro que mais pensava nela. Queria deixá-lo orgulhoso com sua resposta, mas não mentir.

“Não posso ser egoísta agora. No entanto, nunca quis ser tão egoísta... Sinto inveja daquela menina chorona, ainda com esperança de ouvir a resposta desejada… Fazer um pedido como esse agora seria inútil.”

“Primeiro porque a senhorita sabe qual será a minha resposta. Segundo, porque não precisa fazer o pedido para que seus sentimentos cheguem a mim. Eu sei, e peço perdão de antemão.”

“Não se pede perdão por isso, Sísifo. Se for assim, eu também te peço perdão, porque minha dor vai doer em você.”

“E assim entramos em um looping infinito… Chega a ser engraçado. Na verdade, em vez de pedir perdão, devemos agradecer.”

“Concordo com você.”

Ela costumava ouvir de Sísifo que a vida era encontro, enquanto a morte era separação. Por isso, enquanto estivessem vivos, todos deviam conversar ao máximo, aprender com o outro todo o possível, compreender todas as pessoas em volta para não ter nenhum arrependimento na hora da separação. Em meio a tantas viagens e afazeres, era difícil arranjar um tempo tranquilo para conversar com ele, mas Sasha aproveitara todas as oportunidades e levava de Sísifo tantas e inúmeras lições. Sentia, no entanto, que o momento da despedida se aproximava, embora tivesse um pouco de esperança de saírem vivos da guerra.

Desde a luta de Sísifo, tinha o desejo de pedir-lhe que fugisse do campo de batalha e retornasse ao Santuário. As asas ainda funcionavam, ele com certeza conseguiria voltar para a segurança. Mas ela sabia que ele não sairia do seu lado em meio a uma guerra, mesmo se tivesse de desobedecer-lhe. Sísifo de Sagitário jamais fugiria do futuro, dela e de seu próprio destino. Ele estava exatamente no lugar onde desejava estar, e por isso ainda sorria.

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