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{Desafio Bingo] Desconfiança
Saint Seiya: Athena
streetcatx wrote in oafanfics

Título: Desconfiança
Autor(a): Madam Spooky
Tema(s) do Bingo: Cartela "Moon", prompt "Last Train".
Fandom: Saint Seiya
Classificação: Livre
Palavras: 843
Personagens/Casais: Shaina, Máscara da Morte
Gêneros: Drama, gen
Resumo: Shaina duvida da mudança de atitude de Máscara da Morte.
Notas: História escrita para o Desafio Bingo, um desafio promovido pela comunidade OA Fanfics.
Se passa no mesmo universo do prompt anterior, Despedida.

Shaina está parada na estação, esperando o último trem para Florença com grande inquietação.

Ela odeia Roma. Cresceu em uma casa cheia de órfãos em *Marancia, antes de ser escolhida para se tornar uma Amazona, e nunca, nem nos piores dias de treinamento, imaginou retornar. Aquela foi uma época de pobreza e abandono; infindáveis caminhadas à procura de objetos de valor jogados no lixo; surras memoráveis quando não levava nada para casa além de um estômago vazio; também foi uma época que a ensinou que é uma péssima ideia se apegar a qualquer pessoa. Se elas não forem embora, certamente serão tiradas de você.

Foi a última vez que ela sentiu medo.

- Você quer alguma coisa? O trem ainda deve demorar quase quinze minutos.

A Amazona de Ofiúco sente o corpo enrijecer ao ouvir a voz de seu companheiro de missão. Na maior parte do tempo, nos três dias desde que chegaram ao país, ela conseguiu ignora-lo, até mesmo esquecer que ele estava por perto.

Mas que ideia do Mestre, ela pensa. Ainda consegue ouvir a própria voz protestando contra aquele sistema de parcerias ao serem despachados para missões. Máscara da Morte fala italiano fluentemente, foi o argumento dele. E não deixou que ela continuasse protestando. Usou a carta “Faça isso por Athena. Ela deve encontrar um mundo pacífico quando retornar” para ganhar sua concordância. É difícil discutir com o Mestre quando ele está pálido de preocupação para com a deusa, mesmo que ela mesma ache que Saori está bem, onde quer que esteja.

- Eles fazem um café excelente em...

Máscara da Morte para de falar quando ela o encara com seu melhor olhar assassino. O que Athena estava pensando? Ela podia ter reconstruído o Santuário do zero, com novos aprendizes. Levaria tempo, mas o mundo estaria seguro. Agora ela estava a caminho de uma punição, tudo para que homens como o notório colecionador de rostos Máscara da Morte de Câncer continuassem andando sobre a Terra. Justiça seja feita, nem todos os Cavaleiros a voltar dos mortos são como ele. Mas certamente estes teriam morrido alegremente em troca de saber que a deusa e a humanidade continuariam seguros. Esse era o destino de um Cavaleiro afinal de contas.

Câncer sorri. Ele está sorrindo muito ultimamente. No princípio ela pensou que a insistência de Shion para que fossem juntos à Itália tivesse a ver com usa-la para ficar de olho nele. Agora não tinha tanta certeza. A única vez que Máscara da Morte abriu a boca sobre o assunto de seus hábitos antigos foi para dizer que tinha deixado todo o ódio e prazer no sofrimento – sim, foram essas suas palavras exatas, e ele nem mesmo tinha conseguido pronuncia-las sem gaguejar – para trás. Que uma nova chance na vida não era algo para se subestimar.

Ele sorri muito agora. Também gosta de falar de si mesmo: da infância privilegiada em Florença; da família com ligação com o Santuário há gerações; da sua época de treinamento, embora seja vago nos detalhes. Ele acorda cedo e faz longas caminhadas. Gosta de ouvir música clássica, Rossini em especial. É agradável com crianças e pessoas de idade. Nunca passa por um mendigo na rua sem se livrar de um trocado.

Quanto mais normal Máscara da Morte se esforça em parecer, menos Shaina confia nele. Às vezes ela tem certeza que ele a observa com um meio sorriso presunçoso no rosto, como se a desafiasse.

Prove que eu ainda sou o mesmo de antes, diz aquele sorriso.

Ela tentou segui-lo nas poucas vezes em que insistiu em sair sozinho. O observou enquanto ele lia pacificamente em uma cadeira no saguão do hotel em Veneza ou enquanto tomava o café da manhã na varanda da pousada em Nápoles, a procura de micro expressões reveladoras. A Itália não era um país grande, mas quanto mais tempo passava na companhia dele, maior ele parecia. Como se estivesse crescendo e se tornando infinito... ela enlouqueceria antes que eles pudessem inspecionar todas as principais cidades.

- Oh, ai está o trem – diz Máscara da Morte alegremente. Um tom que esconde algo sinistro, Shaina tem certeza.

Por um instante olha em volta, pensando se é viável esperar que ele suba no trem, então se afastar e se misturar a multidão crescente. Ela pode sair andando na direção contrária, voltar às ruas de Roma e continuar andando até chegar a um lugar onde não haja lembranças ruins. Um lugar sem inquietações. Um lugar seguro.

Com a partida de Athena, alguns Cavaleiros escolheram voltar aos seus locais de treinamento. Alguns apenas desapareceram. Uma boa parte estava engajada em um protesto silencioso, para obrigar o Mestre a revelar a direção tomada pela deusa. Seiya e seus companheiros de bronze, que nunca sabem quando parar, mal podem esperar para ir salva-la. Ela bem que podia se juntar aos desaparecidos... Seu maldito senso de lealdade é a única coisa a impedindo.

- Você vem?

Câncer já está na cabine, ainda com aquele sorriso enfurecedor; tem a mão estendida na direção dela.

Ela podia...

Segura a mão dele.



FIM


*Tor Marancia: bairro na periferia de Roma.


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